quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Além da Terra Devastada. VIII

“O que tá acontecendo?!”
“Estamos sendo invadidos pela FES, o que raios vocês andaram fazendo?” – Julius, 
irmão de Carla apareceu gritando, muito assustado.
“Eu não sei. Não fizemos nada, mas pelo barulho, não sei se vai ser saudável ficar aqui. 
Venham, vamos sair pela escada de incêndio. Rápido, Lúcio, me ajuda. Pegue a mochila 
azul que está em cima daquela prateleira e coloque os arquivos dentro. Coloque 
também meu Cubo de Dados. Está na escrivaninha. Julius, vem comigo.”
Carla abriu bruscamente a janela e se atirou pra fora. Eu peguei a mochila, os arquivos, 
e o cubo de dados e enfiei na mochila. Num último instante, peguei também a foto de 
seus pais mortos que descansava emoldurada na parede próxima à cama. Corri pra 
janela, atirei a mochila pra ela e saí. Imediatamente o vento fustigante e a água 
congelante começaram a me fazer tremer. Quando dei uma última olhada para dentro 
do quarto, há pouco quente e agradável, pude ver a porta sendo posta a baixo. Um 
soldado da FES me encarou e atirou, Carla gritou e tudo aconteceu ao mesmo tempo. 
A bala – um projétil vermelho e grande, veio em minha direção tão veloz quanto os 
raios que caíam. Meu pulso acelerou, e o tempo à minha volta andou mais devagar. E 
então a centímetros de me atingir bem no meio da testa, a bala parou.
“Corre, Lúcio!”
Nesse exato momento Carla me puxou e o tempo voltou a correr. Descemos as 
escadas tão rápido quanto nossas pernas permitiam, e cobrimos a distância entre o 
segundo andar e o chão em pouquíssimo tempo. Quando cheguei ao chão, pude ver 
que a equipe da FES nos seguia. Não conseguia entender por que aquilo. Por que a FES 
estava atrás da gente? De mim? Por que Clara enviaria esses soldados para me matar? 
Por que a pessoa que me treinou, a pessoa em quem mais confio iria querer a minha 
morte? Raiva começou a percorrer minhas veias. Raiva tomou conta de mim. Eu gritei. 
E então concentrei toda essa raiva na estrutura de metal à minha frente. Primeiro as 
escadas tremeram. Depois começaram a chacoalhar violentamente. Os soldados, 
encharcados e assustados se seguraram da forma que puderam. Indo para frente e para trás, as escadas se soltaram da parede, pairaram a alguns metros do prédio e 
ruíram. O barulho, ensurdecedor, foi em parte abafado pelos trovões. Eu ouvi Carla 
gritar à distância, e as bordas da minha visão escureceram. Pontos brilhantes 
invadiram meu campo de visão, e a escuridão tomou conta de mim.

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